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Resenha – UM PEDIDO ÀS ESTRELAS (Priscille Sibley)

Resenha Um Pedido às Estrelas Priscille Sibley

Um Pedido às Estrelas – Priscille Sibley

Título: Um Pedido às Estrelas
Título Original: The Promise of Stardust
Autor: Priscille Sibley
Editora: Benvirá
ISBN: 9788582400586
Categoria: Literatura Estrangeira/ Romance, Drama
Ano de Lançamento: 2013
Páginas: 320

Sinopse: Após um grave acidente, Elle sofre um trauma cerebral irreversível, mas em seu ventre cresce uma vida. Apesar da fragilidade da situação, há uma possibilidade de ela dar à luz o tão filho aguardado. No entanto, com a mesma força com que desejou um filho, Elle se opunha a manter uma vida artificialmente. Se ela pudesse decidir, o que falaria mais alto? Escrito com sensibilidade e compaixão, Um pedido às estrelas é uma emocionante história que levanta profundas reflexões sobre vida e morte, fé e ciência, e ilumina o poder do amor para ferir…e curar.

 

“Não é trágico que algumas vezes precisemos padecer para entender o que nos é precioso?”

 

Um Pedido às Estrelas é um livro sensível e inspirador. Pode não ser o estilo de muitas pessoas que não gostam de livros mais dramáticos, mas eu adoro essas histórias emocionantes. Não me importo que façam chorar, ou até sofrer, pois, ao final, o que acrescentam de reflexão já compensa. E Um Pedido às Estrelas nos faz pensar a cada página.
O livro conta a história do casal Matt e Elle. O primeiro capítulo já deixa explícito o tom dado ao livro e o leitor pode perceber nas primeiras páginas se é seu estilo de leitura ou não. Exatamente por isso, quero deixar bem claro uma coisa, o enredo não segue inteiro na mesma carga dramática do início. Começa forte, depois o ritmo desacelera, até voltar à finalização mais dramática, porém singela. É importante ter em mente que o foco do livro não é o estado da personagem Elle, que fica totalmente elucidado para o leitor desde o princípio, e sim a questão bioética que essa situação envolve.
O narrador é o Matt, um médico neurocientista e o marido da Elle. A partir dele, vamos conhecendo mais da história desse casal, dos seus passados, da paixão de infância, dos desencontros da vida, das carreiras profissionais e do grande amor que os une. Tudo isso vai sendo narrado em flashbacks intercalados com capítulos no tempo presente. É bem legal a forma como acabamos conhecendo intimamente Elle (que é protagonista, mas já começa o livro acidentada) apenas através das narrativas do passado de Matt. Os outros personagens da história são bem secundários e mais relacionados ao ciclo familiar do casal. Quem ganha maior destaque é exatamente a mãe de Matt, que vai disputar o futuro de Elle contra o próprio filho no tribunal. É daí que vem todo o questionamento do livro, e confesso que, em diversas vezes, eu não sabia o que pensar. Os dois lados da história foram muito bem apresentados, fazendo compreender as opiniões e decisões de ambas partes envolvidas e levando a questionar qual seria a real vontade da Elle. É difícil não achar que a escolha dela seria a mesma sua, e cada leitor vai levar para um lado, acabando por tomar partido do Matt ou de sua mãe. Mas a grande questão é se colocar no lugar de Elle e compreender qual seria a decisão dela a partir do que vai sendo apresentado pela narrativa do marido e pelos seus confrontos com a mãe.
O final é incerto durante toda a leitura. Não sabia o rumo que a história iria tomar, já que ambas as partes em disputa pareciam ter razão em suas considerações em diferentes momentos. A conclusão da trama foi boa, atendendo às expectativas. Como enfermeira, a autora soube encontrar a sensibilidade para passar as emoções vividas pelos personagens, além de dosar a questão clínica com a questão humana envolvida na trama. Ela usa alguns termos técnicos, mas não acredito ser nada que venha atrapalhar a compreensão geral.
A questão judicial pode ficar um pouco confusa para os leitores não americanos, já que é baseado nas leis deles. Mas, sendo uma obra de ficção, não é difícil nos transportar para aquela realidade. Demonstra que a autora fez um bom trabalho de pesquisa e nos faz questionar como seria um caso desse no Brasil.
Um Pedido às Estrelas não é um desses livros deprimentes que acabam te deixando para baixo depois da leitura. É um livro emocionante e comovente. Com uma história delicada e polêmica, envolvendo manutenção artificial de vida, aborto, direitos da mulher, direito à vida, entre outras questões éticas relevantes, Um Pedido às Estrelas é um livro que traz reflexões não apenas sobre a vida, mas sobre a morte, o amor e a esperança, porém cada um vai interpretar da acordo com suas próprias crenças e pensamentos morais. Recomendado!

 
 
 
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Resenha – DANÇANDO SOBRE CACOS DE VIDRO (Ka Hancock)

Resenha Dançando sobre cacos de vidro Ka Hancock

Dançando sobre cacos de vidro

Título: Dançando sobre cacos de vidro

Título Original: Dancing on broken glass

Autor: Ka Hancock

Editora: Arqueiro

Lançamento: 2013

Categoria: Literatura Estrangeira

ISBN: 9788580412079

Páginas: 336

Sinopse: Lucy Houston e Mickey Chandler não deveriam se apaixonar. Os dois sofrem de doenças genéticas: Lucy tem um histórico familiar de câncer de mama muito agressivo e Mickey, um grave transtorno bipolar. No entanto, quando seus caminhos se cruzam, é impossível negar a atração entre eles. Contrariando toda a lógica que indicava que sua história não teria futuro, eles se casam e firmam – por escrito – um compromisso para fazer o relacionamento dar certo. Mickey promete tomar os remédios. Lucy promete não culpá-lo pelas coisas que ele não pode controlar. Mickey será sempre honesto. Lucy será paciente. Como em qualquer relação, eles têm dias bons e dias ruins – alguns terríveis. Depois que Lucy quase perde uma batalha contra o câncer, eles criam mais uma regra: nunca terão filhos, para não passar adiante sua herança genética. Porém, em seu 11° aniversário de casamento, durante uma consulta de rotina, Lucy é surpreendida com uma notícia extraordinária, quase um milagre, que vai mudar tudo o que ela e Mickey haviam planejado. De uma hora para outra todas as regras são jogadas pela janela e eles terão que redescobrir o verdadeiro significado do amor. Dançando sobre cacos de vidro é a história de um amor inspirador que supera todos os obstáculos para se tornar possível.

“Agora sei a diferença entre tristeza e depressão. A depressão clínica não tem uma origem – simplesmente existe. A tristeza intratável não tem nada a ver com sinapses, química cerebral ou nutrientes essenciais; ela é fruto de algo. É o produto da injustiça e da impotência. Pode ser anestesiada, suponho, mas depois que o efeito da medicação passa, fica ali, inalterada, como um intruso que invadiu nossa casa e continua nela, manhã após manhã, ao acordarmos. Se pudesse escolher, eu preferiria estar deprimido. Da depressão já voltei.”

Leu a sinopse, viu a capa do livro, e já sabe o rumo que o livro vai tomar e como vai terminar? Está certo, mas não deixe de ler por causa disso. Na verdade, até facilita, evita o sofrimento já sabendo o que esperar. Mas a beleza do livro não está aí, ele não quer te fazer sofrer e talvez até por isso já deixe um spoiler descarado na capa. Ele quer muito mais, quer te tocar o coração, quer te fazer compreender um pouco mais sobre uma doença mental, quer te mostrar o poder do amor. O amor entre homem e mulher, o amor entre irmãos, o amor entre amigos, o amor entre uma mãe e seu filho. Dançando sobre cacos de vidro mostra que apesar de todas as dificuldades que venhamos a enfrentar na vida, é esse amor que nos fortalece e faz tudo valer a pena.

Narrado em primeira pessoa por Lucy em grande parte do livro, logo de cara nos apaixonamos por essa personagem tão especial. Ela é simples e amorosa, divertida nas horas certas, forte nos momentos difíceis, destemida para seguir seu coração, determinada para ir contra as opiniões alheias. Ela é o guia da sua própria vida. Perdeu o pai muito cedo, mas dele teve uma grande lição que carrega pela vida toda, a nunca temer a morte. Depois perdeu a mãe vítima de câncer de mama. Dela, herdou o gene dessa doença terrível. Mas mesmo com tantos sofrimentos, Lucy não é daquelas personagens que se faz de vítima, que se desmancham em lágrimas a todo instante, que se prendem ao passado.

Lucy encontrou o amor onde nem imaginava, indo contra tudo e todos. Aos 22 anos, ela conheceu Mickey, um empresário que tentava esconder sobre uma fachada de comediante a sua verdadeira faceta. Logo ela descobre que ele sofre de transtorno bipolar. Mas Lucy viu além, viu através da doença, viu o homem bom que ele é. Daí nasce um relacionamento lindo, tão puro que no início pareceu surreal. Não conseguia imaginar aquela situação, até porque Lucy faz tudo parecer tão simples, lida com total controle da situação. Mas aos poucos fui percebendo que o sentimento que existia entre eles é que tornava esse relacionamento tão valioso. E Mickey também é uma personagem cativante. A autora descreve seu transtorno de tal forma e com tal propriedade que compreendemos o que fez Lucy investir nesse amor. Em nenhum momento tive qualquer sentimento de pena por Mickey, até porque ele não precisava da pena de ninguém. Pude apenas vê-lo como uma pessoa como outra qualquer que sofria de uma doença como outra qualquer. E o fato da Ka Hancock ser enfermeira especialista em saúde mental faz com ela descreva tudo com tanta sensibilidade, sentimento e verdade, que mergulhamos de cara nessa história tão tocante. Mostra que não há barreiras que não possam ser transpassadas, nem formas certas ou erradas quando se trata de amor.

Durante boa parte do livro, a autora explora a doença de Mickey, traz feedbacks quanto ao início do relacionamentos deles, os altos e baixos dos 11 anos de casados que já tinham nos dias atuais. No início de cada capítulo, temos um pequeno trecho narrado sobre a perspectiva de Mickey, o que nos faz entrar mais na sua cabeça e compreender melhor seu transtorno. Esses trechos são mais como um diário escrito por Mickey, mas facilita a identificação com o personagem. Depois entra a parte mais dramática, que autora soube dosar para não transformar em um total dramalhão. Ainda assim, a trama ficou pesada, pois foi muita coisa complexa junta e ao mesmo tempo. Tinha hora que eu só queria algo que aliviasse um pouco aquele drama. Mas, para mim, a melhor parte do livro é o final. Penso que só a problemática dos últimos capítulos já dava um livro por si só. Foi a parte que mais me prendeu e a questão mais interessante para ser ponderada e refletida, e que poderia ter sido até mais explorada.

Uma dinâmica familiar complexa, uma decisão difícil, uma lição de vida. Dançando sobre cacos de vidros pode ter altos e baixos, mas é um livro que vale a pena ser lido.

 

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