Cordillera Blanca

Peru com crianças – Cordillera Blanca, Huaraz (dia 1)

Viajamos para Huaraz num fim de semana, saindo de Lima numa quinta-feira à noite, às 22:15h, e amanhecendo o dia seguinte em Huaraz. A viagem dura oito horas e várias empresas fazem esse trecho. Falamos sobre as viagens de ônibus pelo Peru aqui.

Já havíamos fechado os passeios com um agência, tudo por email, mas não foi necessário pagar nada antecipado, apenas no dia em que chegamos. No desembarque, havia uma pessoa nos esperando que nos acompanhou até o hotel. Fomos acomodados no quarto e ficou acertado que às 9h o ônibus do primeiro dia de tour passaria para nos buscar. Houve um atraso para a saída do passeio nesse dia, de quase 1 hora, mas nos demais foi tudo certinho.

Huaraz é a capital do departamento de Ancash e serve de ponto de apoio para os turistas que desejam explorar a região da Cordillera Blanca, o Parque Nacional de Huascarán. A cidade está localizada numa altitude de 3100 metros e fica entre os picos das Cordilleras Blanca e Negra. Entre as duas cordilheiras, que correm paralelas uma a outra, está o Callejón de Huaylas, um vale onde são encontradas algumas cidades como Huaraz, Carhuas, Yungay e Caraz. Pelo Callejón corre o rio Santo.

A Cordillera Blanca é considerada a maior do mundo em extensão, cerca de 180km, e possui 90 nevados, dos quais 30 estão acima dos 6000 metros de altitude. Os nevados Alpamayo e Huascarán estão entre os mais bonitos do mundo. O nevado Huascarán é 200 metros mais baixo que o Aconcágua, o ponto mais alto das Américas, embora sua escalada seja uma das mais perigosas e difíceis do mundo (com média de 8 mortes ao ano) e, normalmente, leva-se 6 dias para chegar ao topo (enquanto no Aconcágua são 2 dias de escalada).

No lado leste da Cordilheira Branca, existem três rios que desaguam no rio Marañon, que é um importante afluente do rio Amazonas. Para quem se interessar em escalar o Huascarán, a montanha mais alta do Peru, o período é de Abril a Agosto e exige muito conhecimento técnico e experiência. Normalmente, é necessário uma aclimatação de três dias.

Huaraz Cordilheira Branca Peru

Huaraz

Plaza de Armas de Huaraz Peru com crianças

Plaza de Armas de Huaraz

Huaraz Plaza de Armas Peru

Huaraz

Saindo de Huaraz, fizemos uma primeira parada em Carhuas, um vilarejo do Callejón de Huaylas a 2650 metros de altitude. Carhuaz, em quéchua, significa “amarelo”, em referência a cor do milho quando pronto para ser colhido. É uma cidade pequena, mas possui como destaque os sorvetes artesanais. Por isso, ocorre uma parada de 30 minutos na Plaza de Armas, onde podemos provar os sorvetes em uma das sorveterias em frente à praça. É um bom momento para usar o banheiro.

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O ônibus segue, então, para o Parque Nacional de Huascarán. O valor da entrada é 10 soles para adultos e 3 soles para crianças. Como nós fechamos o pacote com tudo incluído, não precisamos pagar nada, apenas apresentar nossa boleta, a nota fiscal.

Entrada no Parque Nacional de Huascarán onde paga-se o ingresso

Entrada no Parque Nacional de Huascarán onde paga-se o ingresso

Descemos na Laguna Llanganuco, onde permanecemos por uma hora. Na verdade, Llanganuco se refere a um conjunto de lagoas dessa região. A lagoa que paramos é a Chinancocha, mas para efeitos turísticos acaba-se chamando tudo de Llanganuco.

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A Chinancocha fica a 3850 metros acima do nível do mar e tem uma área de 548 mil metros quadrados e uma profundidade de 28 metros. O mais incrível é a sua coloração de um lindo, e único, azul turquesa. Essa cor é resultado da origem glacial da água e das rochas que formam o fundo da laguna. A paisagem é simplesmente DESLUMBRANTE. O vento no local é bem gelado (em Setembro), de forma que é importante estar bem agasalhado.

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É possível fazer um passeio de bote pela laguna por 5 soles por pessoa. O passeio tem uma duração de aproximadamente 15 minutos.

Passeio de barco laguna Llanganuco Peru Cordillera Blanca Passeio de barco laguna Llanganuco Peru Cordillera Blanca

Saindo da Laguna Llanganuco, paramos num pequenos restaurante local para o almoço. As refeições não estão incluídas no pacote pago para a agência.

Almoço no tour Huascaran Cordillera Blanca Peru

Os pratos servidos são típicos, como o famoso Cuy (não consigo nem olhar…), o Chicharón de Porco, ou outros como a Llunca e o Pachamanca.

Cuy Huascaran peru

Morro de pena dos Porquinhos da Índia

Pratos típicos peru huascarán

Pratos típicos

A salvação para quem não é muito adepto de experiências culinárias locais, ou quem está viajando com crianças, são os pratos de frango ou a truta frita. Nós fomos de truta e os meninos gostaram muito.

Truta Frita tour Huascarán Cordilheira Branca Peru

Truta Frita

Depois do almoço, seguimos para Caraz Dulzura (2270 metros de altitude), outra pequena cidade do Callejón de Huaylas. A cidade é conhecida pelo seu doce de Manjar Blanco, que nada mais é que o nosso Doce de Leite. Paramos em uma venda de doces e depois conhecemos a Plaza de Armas. O interessante é que a igreja da praça tem toda a estrutura externa, mas nunca foi terminada. Sua construção teve início em 1901 e até os dias atuais não foi concluída.

É de Caraz que começam as subidas pelo norte do Alpamayo e também a trilha de Santa Cruz, que dura de quatro a cinco dias e é uma das mais concorridas da Cordillera Blanca passando por dezenas de picos nevados.

Caraz Huascarán Cordillera Blanca Peru Plaza de Armas Caraz Cordillera Blanca Peru Plaza de Armas Caraz Cordillera Blanca PeruCatedral Caraz Cordillera Blanca Peru

Finalmente, a última parada ocorre no Campo Santo de Yungay, o local onde ficava a antiga cidade de Yungay, totalmente soterrada por uma avalanche do Huascarán decorrente de um terremoto no ano de 1970.

Campo Santa Yungay Cordillera Blanca Peru

Essa não foi a primeira tragédia do Callejón de Huaylas, já que em 1725, depois de um terremoto de 7.8 da escala Richter, uma placa glacial se soltou da Cordillera Blanca e soterrou toda uma comunidade um pouco ao norte de Yungay, matando 1500 pessoas. Em 1962, outro terremoto fez com que o Huascarán desprendesse uma calota de neve que cobriu outro vilarejo, dessa vez ao sul de Yungay. E em 1970, durante a Copa do Mundo do México, foi a vez de Yungay sofrer com a avalanche do Huascarán que matou 25 mil pessoas. Apenas um grupo de crianças que assistiam a um circo numa área mais elevada sobreviveram, além de algumas poucas pessoas que correram para o cemitério localizado num ponto alto da cidade. Segunda a guia, em apenas 3 minutos toda a cidade estava sobre o gelo. No local, podemos ver fotos de Yungay antes e depois da avalanche.

Yungay antes e depois do terremoto

Yungay antes do terremoto

Yungay depois do terremoto Huascarán Peru

E depois do terremoto

Hoje, o Campo Santo de Yungay virou um cemitério aberto à visitação, onde é contada a história dessa cidade e onde os mortos são homenageados com lindos caminhos e jardins floridos.

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Podemos perceber a fúria da avalanche em um ônibus, ou o que restou dele, que fica exposto no local. Na Plaza de Armas, ou o que um dia foi a Plaza de Armas, vemos as ruínas da igreja. Enormes rochas são encontradas no Campo Santo e são provenientes do Huascarán. Testemunhas disseram que as rochas não desceram rolando e sim quicando. Ver o tamanho das rochas de perto dá uma ideia da dimensão do que ocorreu ali naquele dia.

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É um lugar muito bonito, com o Huascarán imponente ao fundo, mas também é triste estar ali e saber que tantas pessoas perderam suas vidas naquele local. Ao mesmo tempo, bate um certo medo, afinal nunca se sabe quando pode voltar acontecer. E pensar que em apenas 3 minutos o gelo da montanha já soterrava toda a cidade é um tanto desesperador.

Yungay, Cordillera Blanca Huascarán Peru

As nuvens encobriram o Huascarán

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Já estava começando a escurecer quando retornamos ao ônibus. Ainda teríamos mais uma parada numa loja de artesanato de cerâmica, antes de finalmente retornar para Huaraz.

Artesanato cerâmica Cordillera Blanca Huascarán Peru Artesanato Huascaran Cordillera Blanca

O tour dura ao todo umas 9 horas, de forma que quando chegamos ao hotel, só queríamos saber de comer e dormir para descansar para o dia seguinte, quando visitaríamos o Chavín de Huantár.


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