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Resenha – ESTILHAÇA-ME (Tahereh Mafi)

Resenha Estilhaça-me - Tahereh Mafi

Estilhaça-me – Tahereh Mafi

Título: Estilhaça-me
 
Título Original: Shatter Me
 
Autor: Tahereh Mafi
 
Editora: Novo Conceito
 
Lançamento: 2012
 
Categoria: Literatura Estrangeira – Distopia/Sobrenatural
 
ISBN: 9788563219909
 
Páginas: 302
 

Sinopse: Ninguém sabe por que o toque de Juliette é letal, mas o Restabelecimento tem planos para ela. Planos para usá-la como arma. Mas Juliette tem seus planos. Após uma vida inteira sem liberdade, ela descobriu uma força para lutar contra todos pela primeira vez — e para obter um futuro com o único garoto que ela pensou que fosse perder para sempre.

“A Lua compreende o significado de ser humano. Inconstante. Solitária. Esburacada de imperfeições.”

Descobri essa série por acaso. Não conhecia a autora. Não havia ouvido falar da história. Não lera outras resenhas a respeito. Mas resolvi dar uma arriscada. Ainda bem! Algumas coisas chamam muito a atenção no livro, em especial com relação à escrita da autora. A temática é diferente, mas ao mesmo tempo é conhecida. Confuso? Vamos por partes…

Com relação à história, Estilhaça-me traz uma distopia, seguindo os conhecidos sucessos Jogos Vorazes e Divergente. Temos uma sociedade em um tempo futuro que vive oprimida por um grupo que está no poder, chamado O Restabelecimento. O nome vem da desculpa usada para assumir o controle alegando a intenção de restabelecer a paz num mundo caótico, resultante da super exploração e poluição do meio ambiente e consequente destruição de muitos recursos naturais, que tornou o planeta inóspito. Pássaros já não voam, a camada de ozônio está deteriorada, o mundo já não é como nós conhecemos hoje (mas não significa que não possa um dia se tornar algo assim do jeito que a coisa caminha, né?). O Restabelecimento promete salvar a humanidade, mas quando assume o poder, mantém o povo subjugado ao seu domínio. Em resumo, é mais ou menos isso.

A protagonista é a Juliette, uma jovem de 17 anos que passou a vida afastada das outras pessoas por possuir, como ela inicialmente denominou, uma maldição. Aqui temos o toque sobrenatural do enredo. Nós vamos conhecendo mais sobre a vida e o passado da personagem aos poucos, como o porquê dela estar presa, qual é a sua condição, porque as pessoas não podem tocá-la e como isso afeta sua vida e seu estado emocional. Vamos tecendo sua personalidade em nossas mentes à medida que a escrita da autora vai fazendo todo sentido com as características de Juliette. Pois é, o que a princípio pode parecer estranho, a forma como Tahereh narra, posteriormente é o que torna o livro tão atraente. Confesso que nas primeiras páginas o enredo não me prendeu muito, mas eu fiquei completamente hipnotizada pela forma da autora contar sua história. Lia e relia cada frase, prestava atenção na forma que cada palavra estava disposta no texto, nos discursos indiretos e indiretos livres, nas metáforas. É diferente de todos os outros livros que já li nessa categoria dos Young Adult. A técnica da autora em usar a pontuação ou as conjunções para ditar o ritmo da leitura, ou de fazer uma narrativa inicial, não exatamente mas quase que em fluxo de consciência, mostrando o estado emocional de sua protagonista conflituosa, confusa, desorientada, exatamente no momento em que o leitor está construindo a imagem dela para si. Os Strike Out são ótimos, trazem uma voz meio que do subconsciente da personagem, aquele pensamento mais profundo, aquele que ela não quer admitir nem para si mesma, aquele que ela reprime e, por isso, aparece riscado no texto. Numa situação normal, essas ideias não estariam ao alcance dos leitores na narrativa, mas ali estão, riscados, mas presentes, e fazem todo sentido, e completam a personalidade daquela menina, e passamos a entendê-la tão profundamente que é como se ultrapassássemos a barreira do próprio pensamento dela.

O que as pessoas precisam ter em mente quando leem esse livro é que as palavras que estão ali são da narradora, não da autora. Cada frase, cada pensamento, cada vírgula, é a forma da personagem se mostrar para o leitor. A repetição das palavras, a enxurrada de ideias, a confusão de sentimentos, tudo é passado através da escrita de forma perfeita. Isso, para mim, foi o melhor do livro. Sem dúvida, o melhor do gênero, das distopias, dos young adult, que já li.

Outra característica marcante na narrativa é a presença de muitas figuras de linguagem. No início, eu fiquei encantada com a sensibilidade das associações feitas para descrever sentimentos, mas depois achei que ficou excessivo. Não sei, as metáforas acabaram me saturando um pouco. E, de certa forma, a Juliette também acabou me cansando. Mas é apenas o estilo, que não é tradicional, e sim um tanto lírico, podendo não agradar a todos. Porém, aqui de novo, vem a competência de um autor, afinal, mais do que o estilo de escrita, é a forma da personagem se expressar, de ver um mundo destruído em que vive, de expor sua vida sofrida, de transmitir suas dores e seus medos, e de fazer o leitor captar isso além das palavras, mas especialmente em imagens. Assim entendemos Juliette além dos limites das páginas. Quem ler o último livro, vai perceber que essa técnica não foi à toa, a autora sabia o que estava fazendo, sendo proposital e parte da construção da personagem. Por quê? Na resenha do terceiro livro explico. 😉

Nesse primeiro livro temos uma história mais centrada nos personagens principais Adam, Warner e a narradora Juliette, embora os secundários, que terão muita importância na trama (Kenji, James, Castle, entre outros), já sejam introduzidos. Adam é o mocinho da história, aquele que aparece para salvar a mocinha e libertá-la. Logo o envolvimento de Juliette com Adam conquista o leitor. Há um detalhe no relacionamento deles que não vou contar… rsrs Sempre assim, falo sem querer falar nada. 😉 O Adam é um personagem que demonstra ter muito mais para crescer ao longo da história. Ou poderia crescer, se não fosse ofuscado por Warner.

Warner aparece como o “vilão”, o comandante do setor 45 do Restabelecimento. Ele é muito jovem, mas com apenas 19 anos já comanda o setor e seus soldados com um pulso firme e um tanto desequilibrado (ah, fui contaminada! rs), dando uma visão sobre a sua personalidade forte, marcante e decidida e louca. Sabe, eu não devia ter deixado para escrever essa resenha depois de ter lido os três livros, pois mudou completamente a minha forma de enxergar os personagens e agora não consigo resgatar como os percebi no primeiro livro. Então, para evitar passar uma ideia errada, não vou falar muito dos personagens, ok? Só posso adiantar que muitas reviravoltas ocorrem. Eu duvidei que a autora fosse conseguir me fazer enxergar o Warner de outra forma, mas a verdade é que conseguiu… mesmo que algumas coisas tenham sido bastante forçadas para isso ocorrer. Não quero me adiantar! 🙂 

O primeiro livro da trilogia traz uma mistura de distopia, sobrenatural e romance, embora não deixe claro qual seria o foco principal. Com personagens bem construídos e uma narrativa absolutamente encantadora (para o meu gosto), parece que Estilhaça-me vem ganhando cada vez mais leitores em todo o mundo. E, sim, tem motivos e méritos para isso…

“O mundo é achatado. Sei porque fui atirada da margem do planeta e há dezessete anos ando tentando me segurar. Há dezessete anos tenho tentado escalar de volta, mas é quase impossível quando ninguém está disposto a lhe dar a mão.”

 
 
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Resenha – O LIVRO DAS PRINCESAS (Paula Pimenta, Patrícia Barboza, Meg Cabot, Lauren Kate)

Resenha O Livro das Princesas

O Livro das Princesas

Título: O Livro das Princesas
Autores: Paula Pimenta, Meg Cabot, Patrícia Barboza, Lauren Kate
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501403254
Categoria: Contos
Ano de Lançamento: 2013
Páginas: 288

 
 

Sinopse: As mais populares autoras contemporâneas norte-americanas, Meg Cabot (“Diário Da Princesa” e “A Mediadora”) e Lauren Kate (“Fallen”), se unem às brasileiras e igualmente bem-sucedidas Paula Pimenta (“Fazendo Meu Filme”) e Patricia Barboza (“As Mais”) em uma coletânea que reinventa contos de fadas clássicos.

 

Ganhei esse livro de presente de aniversário, mas confesso que já estava de olho nele fazia um tempo. O Livro das Princesas traz quatro contos, cada um baseado em um dos mais famosos contos de fadas, fazendo uma versão moderna e remodelada das famosas e eternas histórias infantis da Cinderela, da Rapunzel, da Bela Adormecida e da Bela e a Fera. Para ficar bem claro, esse é um livro juvenil e de entretenimento. É suave, de escrita fácil e fluida, e uma ótima opção para uma deliciosa e rápida leitura de distração.
O primeiro conto é o da autora Meg Cabot, que traz a versão da Bela e a Fera. Aqui, a Bela é uma modelo famosa que embarca num cruzeiro com sua família, onde encontra um rapaz misterioso que a salva de um ataque. O desenrolar já é evidente, mas a forma e a criatividade para nos recontar essa história tão famosa é o ponto forte da autora. Meg Cabot não decepciona, mas, me desculpe, o melhor conto não foi o dela, e sim o segundo, o da Paula Pimenta.
A Paula mais uma vez mostrou a escritora competente que é ao trazer uma história maravilhosa do conto moderno da Cinderela. É a maior história do livro e simplesmente a mais envolvente. Ficamos sem querer que acabe. Ela segue direitinho a história original e, ao mesmo tempo, reescreve toda a história tradicional. Aqui temos uma Cinderela que é DJ e se chama Cintia Dorella (até o nome é criativo já que remete muito ao nome Cinderela). Não vou contar a criatividade da autora ao escrever esse conto para não estragar as surpresas que vamos tendo a cada página.
O terceiro conto é da autora americana Lauren Kate e traz a história da Rapunzel. Com sinceridade, foi o mais sem graça. Não gostei do desenrolar da história e não prendeu minha atenção durante a leitura. O conto é narrado intercalando capítulos escritos pelo ponto de vista de Percy, com outros narrados por Talia, e mistura fantasia com contemporâneo. Até unicórnio a Lauren Kate conseguiu colocar nessa história.
O último conto é de outra autora brasileira, a Patrícia Barboza, mas eu nunca havia lido nada dela. A história é bem escrita, envolvente e divertida, mas identifiquei pouco do conto original. Baseada na Rapunzel, tirando os cabelos longos, a trama segue caminhos bem diferentes. Não que seja ruim, é criativo e prende a leitura.
De forma geral, O Livro das Princesas é um ótimo passatempo e pode agradar várias idades de leitores do sexo feminino, apesar de ser mais voltado para o público adolescente. Basta ter um coração romântico e ser apaixonada por contos de fadas para se encantar com esse livro. 😉

 
 
 
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