Resenha – DIVERGENTE (Veronica Roth)

Resenha Divergente Veronica Roth

Divergente

Título: Divergente

Título Original: Divergent

Autor: Veronica Roth

Editora: Rocco

Lançamento: 2012

Categoria: Literatura Estrangeira

ISBN: 9788579801310

Páginas: 504

Sinopse: Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão, pelo qual passam todos os jovens aos 16 anos numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.

“O objetivo não é perder o medo. Isso seria impossível. Aprender a controlar seu medo e libertar-se dele é o verdadeiro objetivo.”

Já estava querendo ler esse livro faz tempo, mas fico sempre naquela de querer esperar a série estar completamente publicada porque odeio ficar esperando lançamento da continuação. Só que o filme já estava para lançar agora em 2014, de forma que resolvi correr para ler primeiro. Comprei no aeroporto antes de embarcar para nossa viagem de férias de quase 1 mês nos EUA, imaginando que nem ia conseguir ler nada. E não é que comecei o livro no voo de ida e acabei exatamente no voo de volta. Mesmo com toda a correria da viagem, quase não parando no hotel, chegando para dormir morta de cansada, não consegui deixar de ler nem que fosse um pouquinho por dia.

Sou fã de carteirinha de Jogos Vorazes. O livro está entre os meus top 10 (resenhas aqui, aqui e aqui), e quando soube que estavam comparando com a trilogia Jogos Vorazes, já me animei. Primeiro, não comparem!!! Maior erro que se faz é comparar um livro a outro. Até porque, se fossem iguais, não teria graça; e sendo diferentes, fica sempre aquela de dizer que A ou B é melhor ou pior. São diferentes. Ponto! Há semelhança? Apenas o fato de serem distopias. Ambos tratam de mundos fictícios onde a sociedade vive sobre opressivo controle de uma minoria, sendo caracterizadas pelo autoritarismo e totalitarismo. 

Divergente é ambientado na cidade de Chicago, mas num tempo futuro onde o mundo não é mais como conhecemos. A sociedade é dividida em facções – Amizade, Abnegação, Audácia, Franqueza e Erudição (além dos sem-facção) – como solução para os problemas do mundo, deixando-o livre da maldade, da corrupção, da covardia, etc. Cada facção representa uma “virtude” da humanidade e seus membros devem viver de acordo com essas ideologias específicas, que deveriam refletir suas personalidades e atitudes. Os membros da abnegação devem viver segundo o mandamento de abnegar-se de tudo, em total altruísmo, condenam o egoísmo e são forçados a rejeitar a vaidade. Na erudição, valorizam o intelecto e a sabedoria, concentrando-se na busca pelo conhecimento. A franqueza coloca a verdade acima de tudo, mesmo que aquilo que tenham a dizer possa magoar outras pessoas, sendo sempre autêntica e sincera a qualquer custo. Os membros da Audácia tem como característica a coragem, vivendo sempre sobre o perigo, desafiando a morte, testando seus limites e seus medos. A amizade vive da bondade e evitando conflitos. E os Sem-facção são a parcela da sociedade discriminada e marginalizada. Como se os seres humanos pudessem ter apenas uma dessas características em suas personalidade. E é aí que entram os divergentes, que no livro só é explicado do que  realmente se trata mais para o final, embora as consequências só fiquem claras ao final do segundo livro, Insurgente, e a total compreensão (ou incompreensão… tá tá, não quero me adiantar!)  só venha mesmo com o terceiro livro, Convergente, ainda não publicado no Brasil. Em Divergente, acabamos conhecendo mais da Abnegação e da Audácia, deixando para aprofundar as demais facções nas sequências da trilogia, mas não se preocupem que todos terão seu devido espaço e papel importante no desenrolar da trama, incluindo os Sem-facção.

A história é narrada em primeira pessoa por Beatrice Prior, a Tris, uma protagonista determinada, corajosa, altruísta, inteligente, decidida (em qual facção ela se enquadraria com tantas características?). Ela é nascida na Abnegação, mas assim como todos os membros dessa sociedade, quando eles atingem 16 anos, é permitido que escolham a qual facção desejam fazer parte. Antes da escolha, eles passam por um teste de aptidão, que diz sua tendência para uma das 5 facções de acordo com a virtude que apresentar numa simulação. E é aí que o livro começa propriamente dito, trazendo ao leitor a questão do divergente, o que gera o suspense e a curiosidade que segura a leitura. Eu lia porque queria entender, queria desvendar esse mundo que a autora trouxe, queria conhecer o que há por trás das falsas aparências, dos jogos de poder, da essência da humanidade, da sociedade aparentemente perfeita. Queria sempre mais e acabava não conseguindo largar o livro, mesmo quando ele ficava naquela enrolação sem fim para encher páginas. Em alguns momentos, achei, sim, maçante. A parte da iniciação é muito longa, apesar de concordar que é necessária para dar a introdução em muitos pontos da trama, mas que só vamos captar melhor nos livros seguintes. Ainda assim, podia ser enxugado e tornar a leitura mais dinâmica. Então, sim, insistam em Divergente, mesmo que num primeiro momento não se sintam totalmente envolvidos. A ação maior foi deixada para o final, quando fica praticamente impossível parar de ler e mais impossível ainda não correr logo para Insurgente.

Esse é aquele livro onde há surpresas a cada capítulo, onde nenhum personagem está a salvo, onde tudo pode ocorrer. Aquele livro que é imprevisível, que não temos a menor ideia de onde a criatividade da autora vai nos levar e como vai terminar (pode agradar ou não, mas não há como negar que vai te fazer viajar na imaginação). Divergente tem um escrita simples, até juvenil, mas é recheado de cenas sangrentas, repleto de reviravoltas, personagens marcantes, revelações, ação e romance. O romance não é o foco, embora haja espaço para ele. E é aí que entra Quatro, um dos treinadores dos iniciados da Audácia. Ele começa meio apagado, fechado, misterioso, parece que nem é protagonista, mas aos poucos vai mostrando a que veio. Por trás de uma armadura que ele quer mostrar ao mundo como um cara forte, há um rapaz doce e magoado. Há muito mais reservado para Quatro nos livros seguintes (nem todos positivos, mas.. depois chego lá). A forma como a autora vai introduzindo sua história nesse primeiro livro é sutil, fazendo-o entrar na vida de Tris aos poucos, e o melhor: sem triângulos amorosos.

Mas a grande sacada que captei do livro Divergente é o questionamento da natureza humana. A autora foi de uma sensibilidade tremenda que traz os sentimentos do leitor à flor da pele, nos faz sentir raiva, indignação, amor, ou tudo junto. Fez com que refletisse quanto ao poder das nossas escolhas e as consequências que elas carregam. Então, entre altos e baixos, pontos positivos e negativos, vale a pena a leitura na minha opinião.

O filme tem data de estreia marcada para 18 de abril de 2014.

“Os costumes das facções ditam até como devemos nos comportar nos momentos de inatividade e estão acima das preferências individuais.”

 
 
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