Resenha – CIDADES DE PAPEL (John Green)

Resenha Cidades de Papel John Green

Cidades de Papel

Título: Cidades de papel

Título Original: Paper Towns

Autor: John Green

Editora: Intrínseca

ISBN: 9788580573749

Categoria: Literatura Estrangeira/ Romance

Ano de Lançamento: 2013

Páginas: 368

Sinopse: Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.

“Mas ainda há um tempo entre o momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós rompemos por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros, porque vemos além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros através das rachaduras deles.”

Li A culpa é das estrelas e amei. Li O teorema Katherine e não gostei muito. Resolvi ler Cidades de papel... e John Green me conquistou de vez. Percebi o seu diferencial como autor: ele inova. Seus livros são completamente diferentes um do outro, suas temáticas fogem do denominador comum, suas frases nos fazem refletir por dias, seu humor nos contagia. Ele traz tudo num único livro e em Cidades de Papel isso não foi diferente.

Narrado em primeira pessoa por Quentin, o livro conta uma envolvente história de autoconhecimento e descobertas, com personagens complexos e um tanto enigmáticos. Quentin mora em Orlando, na Florida, está no último ano do ensino médio, se preparando para sua formatura e para faculdade. Ele é descrito como um menino comum, de forma que poderia ser qualquer um de nós ou alguém que conhecemos. Ele tem 2 grandes amigos, Radar e Ben. Os três são ótimos juntos e há trechos muito divertidos os envolvendo. O interessante do livro é que os personagens secundários são super ativos na história, exercem um papel importante no desenvolver da trama e são marcantes.

Quentin tem uma certa paixão de infância por Margo, sua vizinha. Eles eram amigos quando crianças, e o prólogo do livro é exatamente sobre essa fase. De forma que o leitor entra na história no passado, entendendo algo que Q e Margo viveram juntos quando crianças e isso vem a ter uma importante função no quanto a trama envolve o leitor por boa parte do livro (quero explicar sem falar muito). Depois do prólogo, há um salto no tempo e Margo já faz parte do grupo dos populares da escola, de forma que fica claro que ela e Q se afastaram ao longo dos anos. Margo não participa ativamente de boa parte do livro, mas sua personalidade é tão forte e sua presença tão marcante, que é como se ela estivesse a cada página, nas lembranças de Quentin, na forma como ele a enxergava e a percebia, e em como ele vai conhecendo-a de verdade mesmo sem estar ao lado dela. Isso faz com ele se conheça melhor também como efeito colateral. Para mim, ela foi a melhor personagem do livro e a forma do autor trazê-la foi sensacional porque nós também não a conhecemos de verdade, e sim pela imagem que os amigos fizeram dela, e, aos poucos, vamos entendendo todo o conflito dessa garota, o quanto seus fios estavam arrebentados, o quanto ela se sentia frágil, como se feita de papel.

A trama é feita de um grande mistério. E é isso que faz devorar o livro sem parar. No meio dessa sede por entender o que aconteceu, somos bombardeados por frases com palavras perfeitamente colocadas, por pensamentos que atacam bem no fundo da nossa mente. Sentimos o efeito daquilo em nós e compreendemos a evolução do autoconhecimento pelo qual as personagens passam enquanto vamos vivendo aquilo junto com eles. Acreditem, o livro é muito inteligente e repleto de sensibilidade profunda. Sim, o livro tem um pouco de filosofia de vida, mas as metáforas usadas são bem claras e muito bem colocadas. A escrita é simples e de fácil compreensão. A trama é envolvente; as personagens, carismáticas. Mas não esperem grandes acontecimentos, suspenses, dramas, terror, romance… Porém, não tem como evitar sermos tomados pela reflexão que a história conduz e passamos a nos conhecer melhor como pessoas. Ou, principalmente, passamos a enxergar melhor o outro do jeito que ele é e não do jeito que ele quer você o veja. Todos temos um pouco de espelho e janela. Basta decidir como você vai ver. Vai refletir o que você quer ver nele, ou vai vê-lo por dentro, como ele realmente é, através da janela, através das rachaduras?

E quanto ao final? Ah, o final é “a la” John Green, imprevisível e diferente de tudo que se tenha imaginado. No fim do livro, se pergunte: você se conhece de verdade? Seus amigos te conhecem de verdade?

Acredito que não vá ser um livro que agrade a todos facilmente, mas recomendo a leitura. Vale a pena mergulhar nessa história e tentar se conhecer melhor também, se colocar na situação, ultrapassar as páginas do livro e transportar os aprendizados para vida real!

“Eu olhava para baixo e pensava que eu era feita de papel. Eu é que era frágil e dobrável, não os outros.”

“…você ouvia as pessoas para enxergá-las, e ouvia todas as coisas horríveis e todas as coisas maravilhosas que elas faziam consigo e com os outros, mas, no final das contas, ouvir faz com que se exponha muito mais do que as pessoas a quem se estava tentando escutar.”

 
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