Resenha – CONFIE EM MIM (Harlan Coben)

Resenha Confie em mim Harlan Coben

Confie em mim – Harlan Coben

Título nacional: Confie em mim

Título original: Hold Tight

Autor: Harlan Coben

Editora: Arqueiro

ISBN: 9788599296462

Categoria: Literatura Estrangeira/Policial

Ano de lançamento: 2006

Lançamento no Brasil: 2009

Páginas: 320

Sinopse: Mike e Tia encontraram-se numa situação de dilema diante da mudança de comportamento do filho Adam de 16 anos, principalmente após o suicídio do seu melhor amigo Spencer Hill. Eles decidem instalar um programa no computador do filho que monitora todas as atividades do garoto, além de suas conversas nas redes sociais e em mensagens instantâneas. Algumas mensagens recebidas alertam Mike e Tia sobre algo que estaria muito errado. Paralelamente, outras histórias vão se desenrolando, como a mãe de Spencer, Betsy Hill, e seus conflitos e questionamentos pela perda do filho. A vizinha de Mike e Tia, Susan Loriman, lida com seu filho doente e um segredo que pode abalar sua família. Ainda há casos de assassinatos acontecendo e que deixam a Chefe de Investigação Loren Muse envolvida em desvendá-los. Inúmeras outras tramas vão sendo inseridas ao longo do livro. As histórias, aparentemente sem conexão, vão se entrelaçando de forma surpreendente até que todas se cruzam num final inesperado.

 
“- No fundo, Mike, não passamos de tutores dos nossos filhos. Cuidamos deles durante um tempo e depois eles se vão. Só quero uma coisa: que Adam permaneça vivo e saudável até o fim da nossa tutela.”
 

Este foi o primeiro livro de Harlan Coben que eu li, apesar de várias pessoas já terem me recomendado o autor. Resolvi mudar o estilo para algo que fazia tempo que não lia, os policiais. E foi um “tiro certeiro”, suficiente para virar fã do autor. Confie em mim é um suspense policial eletrizante que te prende até a última página.

Narrado em terceira pessoa e com uma linguagem simples, o autor intercala várias histórias com perspectivas de diferentes personagens, o que torna a leitura dinâmica e atraente ao espectador, o qual fica sempre querendo saber o que acontecerá a seguir e se surpreendendo quando fatos são revelados. Desta forma, não podemos dizer que há um personagem principal e sim várias histórias principais em relação a questão temática em foco, as quais, de alguma forma durante a leitura, vão se conectando. Chegou um ponto no qual tive medo de me perder entre tantas tramas e tantos eventos subsequentes, mas a audácia do autor e sua escrita fluida permitem que o leitor acompanhe tudo perfeitamente e fique surpreso à medida que cada peça do quebra-cabeça vai se encaixando.

Minha única ressalva foi a pouca descrição dos personagens. Eu gosto de criar aquelas pessoas em minha mente e imaginar a história se desenrolando como um filme enquanto vou lendo. Acontece que, inúmeras vezes, me peguei com a mente cheia de personagens sem rostos, sem características físicas. Entretanto, isso não atrapalhou o envolvimento ou a identificação com esses personagens, que chegam a ser palpáveis no sentido de serem pessoas comuns, podendo ser nossos vizinhos, nossos parentes, ou nós mesmos.

O tema gira em torno da confiança, a qual é a verdadeira protagonista do livro. E, neste sentido, vários questionamentos são levantados e nos fazem refletir sobre questões do nosso próprio dia a dia. A confiança entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos, entre amigos, entre colegas de trabalho, entre chefia e subordinados. Todo o enredo está relacionado a confiar em alguém das mais diferentes formas, ou mesmo na falta de confiança nos diversos relacionamentos humanos. Assim, o autor traz reflexões importantes sobre muitos dos nossos comportamentos frente a algumas situações. Em vários momentos, coloquei-me na pele de Tia e Mike, no seu desespero frente às dificuldades de relacionamento com o filho adolescente. Pensava se eu tivesse no lugar deles, se um dia vivesse aquela situação, se tomaria atitude diferente da que tiveram. É muito tênue a linha entre o que percebemos por “direito” como pais frente ao “dever” de proteger nossos filhos. Já no princípio da história, são levantadas várias questões sobre até onde vão os limites entre os direitos e deveres dos pais sobre os filhos. Até que ponto os pais têm direito de invadir a privacidade dos filhos baseados no dever de protegê-los? Outros questionamentos vão sendo feitos como: até onde um pai iria por um filho? Até onde um filho iria por um pai? Até onde você iria por sua família? Além do tema principal da confiança, o autor ainda aborda assuntos como bullying, invasão de privacidade, drogas, relacionamentos familiares, tecnologias, entre outros. Mais do que uma leitura de entretenimento, Confie em mim é uma leitura de reflexão super recomendada.

“- Mas se eu tiver que escolher entre proteger meu filho e respeitar a intimidade dele… vou protegê-lo.”

“Os pais podem espionar, mas não podem prever.”

“Sempre que vemos uma situação de fora, corremos o risco de fazer julgamentos precipitados e tendenciosos.”

 
 
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