Resenha – JOGOS VORAZES (Suzanne Collins)

Resenha Jogos Vorazes Suzanne Collins

Trilogia Jogos Vorazes 1

 

Título: Jogos Vorazes

Título Original: The Hunger Games

Autor: Suzanne Collins

Editora: Rocco

Lançamento: 2010

Categoria: Literatura Estrangeira/Young Adult/Ficção

ISBN: 9788579800245

Páginas: 400

 
Sinopse: Mistura de ficção científica com reality show, passando pela mitologia e pela filosofia, com muita ação e aventura. Ambientado num futuro sombrio, o primeiro volume de uma trilogia narra uma luta mortal encenada por crianças e transmitida ao vivo para todos os habitantes de uma nação construída sobre as ruínas de um lugar anteriormente conhecido como América do Norte. Constituída por uma suntuosa Capital cercada de 12 distritos periféricos, a nação de Panem se ergueu. Como represália por um levante contra a capital, a cada ano, os distritos são forçados a enviar um menino e uma menina entre 12 e 18 anos para participar dos Jogos Vorazes. As regras são simples: os 24 tributos, como são chamados os jovens, são levados a uma gigantesca arena e devem lutar entre si até só restar um sobrevivente. O vitorioso, além da glória, leva grandes vantagens para o seu distrito. Quando Katniss Everdeen, de 16 anos, decide participar dos Jogos Vorazes para poupar a irmã mais nova, causando grande comoção no país, ela sabe que essa pode ser a sua sentença de morte. Mas a jovem usa toda a sua habilidade de caça e sobrevivência ao ar livre para se manter viva. Inspirada pelo mito grego de Teseu e o Minotauro e bebendo nas melhores fontes da ficção científica, Suzanne Collins faz uma dura crítica à sociedade do espetáculo atual e prende a atenção do leitor da primeira à última página com um romance envolvente e perturbador. Fonte: Editora Rocco
 
“Feliz Jogos Vorazes. E que a sorte esteja sempre a seu favor”
 

Comecei a ler Jogos Vorazes depois que assisti ao filme. Não é a forma que gosto de fazer, porque prefiro ser surpreendida a cada página do que a cada cena. Fora que quando leio o livro primeiro, o filme ganha outra vida aos meus olhos. Consigo prestar atenção a detalhes, fazer comparações com minhas imagens mentais, atentar aos atores e às suas interpretações. Cada olhar, cada expressão, nada passa despercebido ao leitor que assiste à adaptação cinematográfica de um livro, porque você consegue estar dentro da cabeça do ator, já que leu todos os pensamentos do personagem no livro. A leitura proporciona uma outra percepção da experiência audiovisual. Mas dessa vez acabei fazendo o contrário porque não havia me interessado muito pelo livro num primeiro momento por vários motivos (sua capa que nunca me atraiu, ou por sempre o encontrar na área juvenil das livrarias e não conhecer realmente sua história). Porém, acabei gostando do filme por si só, resolvi ler a trilogia e fiquei ainda mais envolvida. Devo dizer, já que é impossível não traçar uma comparação, que achei o filme muito bem adaptado. As adaptações cinematográficas costumam deixar a desejar quanto a fidelidade à obra escrita que as originaram, mas eu senti pouco isso em Jogos Vorazes. Nada foi inventado no filme, tudo segue a sequência do livro, mas claro que algumas coisas importantes foram cortadas. Por exemplo, a parte da caverna com Katniss e Peeta. No filme, foi muito singelo perante toda descrição mais complexa do livro, e penso que isso comprometeu o romance da história. Acho que poderiam ter colocado mais ênfase a essa parte e talvez isso melhorasse a química entre os atores, que não achei que correspondeu a dos personagens do livro. No filme, em nenhum momento, eu consegui ver Katniss e Peeta, sobre qualquer hipótese, como um casal, fosse no jogo, fosse real. Já no livro, é possível ver de outra forma sim. No geral, gostei do filme, mas, como sempre, nunca chega aos pés do livro.

Outro lado ruim de ter visto o filme antes foi ter privado minha imaginação. As imagens visuais foram as que assisti e não as que criei em minha mente. Assim como os personagens. Por exemplo, Katniss automaticamente era Jeniffer Lawrence. Como não gostei da interação romântica dos atores que viveram Katniss e Peeta no filme, tive dificuldade de me conectar a eles na leitura. Mas, aos poucos, o livro foi me envolvendo e fui sendo mais cativada pelos personagens em si, e não mais pelos atores que os interpretaram.

Falando do livro propriamente dito, a narrativa é em primeira pessoa, pela perspectiva da Katniss. Poucas autoras têm a capacidade de fazer o que a Suzanne Collins fez com esse tipo de narrativa. Isso porque, apesar de acompanhar os fatos pela visão da protagonista, senti como se estivesse também na cabeça de vários outros personagens. A autora conseguiu fazer isso de forma despretensiosa e sutil e, em grande parte, graças ao mérito na construção da sua personagem principal. Katniss é a protagonista que gosto de encontrar nos livros, forte, determinada, decidida, não influenciável. Ela pode tomar as decisões erradas, mas ela raciocina antes, reflete, pondera, lê as entrelinhas, é perspicaz e percebe os outros a sua volta. E é exatamente aí que conseguimos também compreender os demais personagens, como pensam, o que são. Katniss passa isso para o leitor com sua leitura do mundo e das pessoas que a cercam. Isso nos traz uma incrível descrição dos ambientes e dos personagens, de forma que, mesmo estando na arena com ela, temos uma visão geral da história, conseguimos visualizar o que ocorre na Capital, a reação das pessoas que estão assistindo aos jogos, a vida nos distritos, além das ideias que guiam as ações do mentor Haymitch.

Gostei muito da protagonista, do seu instinto de sobrevivência, das suas decisões, das suas ações. Já Peeta, o tributo masculino do Distrito 12 que vai para arena com Katniss, é aquele personagem que, no início, não desperta nada, não faz diferença e é apagado pela presença da Katniss. Mas aos poucos ele vai ganhando espaço, vai dizendo a que veio, vai conquistando o leitor. É uma evolução no envolvimento leitor-personagem tanto quanto é entre Katniss e Peeta. Ele se mostra uma pessoa boa, de um coração sem igual, que tem um dom incrível com as palavras. O amor dele por Katniss me faz lembrar aquelas paixões infantis, quase platônicas, tão humildes e altruístas. Ele a ama e isso é o bastante, não espera nada em troca. Ele a conhece, sabe da sua vida, do seu passado e de seus sentimentos. E sabe da existência de Gale, amigo de Katniss do Distrito 12. Gale é como o galã da história, forte, bonito e destemido. Ele e Katniss costumavam caçar juntos na floresta, onde ela ganhou toda sua habilidade com o arco e flecha, e desenvolveram um relacionamento especial. Não sabemos muito sobre Gale nesse livro e o que temos é muito mais pelas lembranças da Katniss, mas nos demais livros ele ganha mais importância. Além desses personagens centrais, temos Haymitch, que foi o único vencedor do Distrito 12 nos jogos e é mentor de Katniss e Peeta na arena. Ele é alcoólatra, não tem família e não quer saber de muita coisa a não ser de sua bebida, mas sua participação no enredo vem a ser essencial.

A escrita da Suzanne é maravilhosa. Tem uma cadência, um ritmo e cativa do início ao fim. O livro tem muitas partes narradas, mas não se torna nem um pouco cansativo. As descrições dos ambientes são ricas e fáceis de imaginar e visualizar, e os diálogos são bem estruturados. A enredo é intrigante e diferente, trazendo muita originalidade. Ela estimula muito a criatividade ao nos fazer entender esse mundo fictício para o qual nos transporta e, ao mesmo tempo, traz críticas e reflexões quanto à sociedade real. Na sua ficção, pude enxergar como um caso extremado de muitas coisas que vejo atualmente, como as desigualdades sociais, o culto a aparência física, a exploração dos mais fracos, ou mesmo os tão famosos reality shows. Nos Jogos Vorazes, o vencedor é o que termina vivo, sai da miséria, ganha destaque e dinheiro, mas não é tão diferente assim do que vemos nos reality shows atuais que, apesar de não terminarem em morte, muitas vezes passa-se por cima dos outros a todo custo, dissimula-se, engana-se, encena-se relacionamentos amorosos, faz-se de tudo para cativar o público que fica rindo e se divertindo das maiores atrocidades em frente à TV da sua casa. O que vale é atingir o objetivo, pois no fim só há um vencedor da mesma forma.

O livro tem muita ação, tensão, drama e aventura; é violento, sangrento e distópico, mas tem uma pitada de romance como pano de fundo. É um livro para todos os gostos e que agrada várias faixas etárias, apesar de seu gênero ser Young Adult (ou seja, entre 12 e 18 anos) devido à faixa etária dos personagens, mas o enredo é complexo e há alto teor de violência nas páginas do livro. As sequências da trilogia são Em Chamas e A Esperança.

 
“Com o canto do olho, vejo Peeta estender a mão. Olho para ele sem muita certeza. ‘Uma última vez? Para o público?’ diz ele. Sua voz não está zangada, o que é pior. O garoto-do-pão já está me escapando.” 
 
“Eu não estou autorizado a apostar, mas se pudesse, meu dinheiro estaria em você” (Cinna)
 
 
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