Como tudo começou (parte 1)

 
De onde surgiu a ideia de começar um blog? Tudo começou com o texto abaixo…
 
(Escrito em 3 de janeiro de 2013)
 
 
enf
VOCAÇÃO
 
Estou com uma palavra na minha cabeça há alguns dias: VOCAÇÃO! Resolvi procurar no dicionário e a definição que encontrei foi: “Tendência ou inclinação natural que direciona alguém para uma profissão específica, para desempenhar determinada função, para um trabalho. Capacidade ou interesse natural por quaisquer coisas. Talento. Aptidão natural”. Acontece que agora fiquei ainda mais intrigada. Como saber a sua vocação? Ou melhor, o que fazer quando se começa questionar o que você achava ser a sua vocação?
 
Sempre achei que minha tendência, minha inclinação natural, fosse para desempenhar funções na área de saúde. Lembro no meu período escolar que a disciplina que mais gostava de estudar era biologia. Então nunca cogitei outra área. Meu raciocínio para decidir qual vestibular prestar foi saber em quais profissões estudaria biologia. Cheguei a cogitar mesmo Ciências Biológicas, mas descartei esta ideia no dia em que, estudando no meu quarto em Brasília, olho na minha cortina algo muito estranho, uma gosma verde grudada no tecido, e percebo que algo se mexe dentro. Era um ovo, uma larva, ou seja lá como chamaria aquilo. Algum inseto que passou e resolveu deixar seus descendentes ali, na minha janela. Aquilo me deu um nojo tão grande que mal consegui limpar. Mesmo depois de joga no lixo o papel com aquela estranha forma de vida, não conseguia me aproximar da lixeira só de imaginar o que havia ali dentro. Seja lá o que se estudasse em Ciências Biológicas, naquele momento resolvi cortar da minha lista de vocações.
 
As outras opções seriam medicina, fisioterapia, biomedicina e enfermagem. Eu estava tão perdida que resolvi fazer uma orientação vocacional. Não sei como funciona este negócio de você fazer uns testes e o psicólogo te dizer para qual profissão específica você tem capacidade ou interesse natural. No fim, ele te dá é uma série de profissões as quais seriam a sua vocação. Acontece que uma lista eu já possuía, o que queria mesmo era que me dissesse qual exatamente deveria seguir, em qual me daria bem, teria sucesso, ganharia dinheiro e seria realizada. Tá bom, não deveria ter ido a um psicólogo e sim a um cartomante. Continuei minhas pesquisas sobre cada profissão, li artigos, conversei com profissionais, visitei alguns de seus ambientes de trabalho, fiquei ciente dos prós e dos contras. Dessa forma, achava que não seria enganada e minha decisão seria definitiva, consciente e racional. Seria muito bom se fosse assim tão simples, se existisse uma fórmula de mágica ou se pudéssemos ver nosso futuro numa bola de cristal.
 
Acabei reduzindo minha lista a 2 profissões. Excluí a biomedicina, porque na época não consegui entender claramente o que era. E a própria medicina, que por tantos anos foi minha primeira e absoluta opção. Eu lembro que falava para psicóloga no teste vocacional que queria fazer algo em que pudesse ajudar as pessoas. E não foi que, para minha surpresa, caí no lugar certo. Pelo menos, por muito tempo, eu pensei que seria o meu lugar. Era isso que eu queria, cuidar. Das pessoas e não das doenças. A beleza dessa profissão me encantou. Eu pensei: “sim, posso fazer isso e ser feliz”.
 
Os obstáculos foram muitos. A vida de caixeiro viajante do militar já era uma constante em minha vida. Levei 6 anos para me formar, tendo que me transferir da UnB para UFRJ e repetir disciplinas já cursadas com êxito. Com determinação e força de vontade, consegui transpor todas as barreiras e me graduei enfermeira com muito orgulho em 2005. Só que a partir daí veio a realidade, o dia a dia, e todas as dificuldades. Hoje, estou me questionando se realmente essa era a minha VOCAÇÃO. Porque esses problemas são enfrentados por todos guerreiros dessa profissão e, mesmo assim, vejo tantos felizes com o que exercem com a certeza de que alguma diferença fazem na vida de várias pessoas. E agora? Volto a me questionar, o que é VOCAÇÃO? Qual a minha vocação afinal?
 
Quando se é criança, a pessoa começa a demonstrar HABILIDADES. Quantas vezes não escutamos falarem: “esse menino tem o dom da música, será um grande cantor”, ou “é um artista nato”, ou um esportista, ou tantas outras coisas. DOM! Será que dom tem a ver com VOCAÇÃO? No significado, fala-se em TALENTO. Agora está complicando ainda mais minha vida. Nunca tive nada que me destacasse desde pequena. Não tenho voz, logo esqueço a área musical, a não ser como mera ouvinte. Tentei ser jogadora de vôlei, mas só consegui esquentar o banco dos reservas. Cheguei a tentar a natação… Odeio água, e mais ainda ficar com meu cabelo molhado. Meus pais contam que desde muito pequena me colocaram na natação e todas as crianças iam correndo atrás da professora no início da aula, enquanto eu ficava por último que nem uma pata. Hoje imagino que provavelmente já era por não querer molhar meu cabelo. Acho que logo de cara eles perceberam que eu não tinha tal vocação. Meu talento não estava nos esportes. Eu fugia até de Educação Física. Dia de natação no Colégio Militar do Rio era dia certeiro de eu estar na enfermaria. Nunca vi colégio para acertar tanto assim meu ciclo menstrual. Para cumprir as metas do TEF (teste de educação física) na corrida, tinha que me agarrar ao braço de alguém (dos meninos, claro!) para conseguir ter um pique para correr. Cheguei a fazer balé como toda menina, depois mudei pro jazz, e no fim não sei dançar é nada. Minha timidez é extrema e jamais subiria num palco para atuar. Dizem que dons são herdados. Será? Se assim fosse, por que não sei pintar como minha mãe? Ah! Aula de educação artística… Quantas eu perdi, a ponto da professora me chamar para dizer que eu ficaria reprovada. Já pensou, tomar bomba em Educação Artística? Acontece que, na hora da aula, eu estava muito ocupada…  no treinamento com a equipe de vôlei. Ou seria melhor dizer, esquentando o banco reserva da equipe?
 
Enfim, minha infância não me deu muitas pistas do que seria quando crescesse. Talvez tenha que perguntar pros meus pais o que eu dizia que seria quando crescer. Hoje meus filhos com 5 anos dizem o que querem ser. Para mim, eles podem ser o que quiserem… desde que não sejam militares! O Gabriel quer ser médico para tirar os nenéns das barrigas das mamães e trabalhar comigo. O Matheus quer ganhar dinheiro. E dessa forma ele veio me perguntar se ele trabalhasse em restaurante teria dinheiro. Minha resposta foi que se ele fosse o garçom do restaurante, não, mas se fosse o dono… Então ele decidiu que iria abrir uma pizzaria e já tem até filiais, no Rio, em Brasília, na Casa do Mickey (vulgo Orlando) e na Cidade Fria (um pouco conhecida também por New York). Tenho um empreendedor na família. Será que é a sua vocação aparecendo? É tão lindo ver o quanto isso muda com o passar dos anos. Cada hora queremos ser uma coisa diferente e quando chega a hora de escolhermos de verdade temos que buscar testes vocacionais para saber nossa vocação. A não ser aqueles que têm sorte de terem um dom, um talento nato. Que sabem desde pequenos o que vão ser quando crescerem e realmente o são. Esses são felizardos. Ou mesmo aqueles que têm um sonho… SONHO! Será que está relacionado com vocação? Qual era o meu sonho de infância? Aquele pelo qual se larga tudo e faz jus a famosa frase: nunca é tarde para correr atrás dos seus sonhos. É! Vou precisar refletir mais sobre isso.
 
E, por fim, ainda tem aqueles que escolhem certo. Esses não acordam todos os dias reclamando que terão que trabalhar. Uma vez eu li uma frase que dizia que quando se faz o que gosta não se tem um dia de trabalho. FAZER O QUE GOSTA! Será isso vocação? Na noite de ano novo meu marido chegou ao ponto de dizer que, se ganhasse na Mega-Sena da virada, iria criar um exército para ele, onde seria o comandante. Pode? Isso que é gostar do que faz. Para a maioria das pessoas, se perguntada o que faria se ganhasse uma bolada em dinheiro, a última coisa que iria querer era trabalhar na mesma coisa que trabalha hoje. E isso me fez pensar que se eu tivesse certeza de estar na minha vocação, e ganhasse na loteria, seguindo o raciocínio dele, eu abriria meu próprio hospital. Certo? Por que isso não me veio à mente? A partir daí, essa palavra não para de permear meus pensamentos. Afinal, o que é vocação? Qual a minha vocação? Pelo jeito vou ter que voltar aos testes vocacionais; depois dos 30 anos. Mas há idade pra achar sua vocação, sua tendência, sua inclinação natural, seu talento, sua aptidão, seu dom, ou para fazer o que gosta ou realizar seus sonhos? … Mas isso já é outra pergunta!
 
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